Edwin Carvalho
– ACS Caern
A
queda na qualidade das águas de rios, açudes e outros mananciais de superfície
que auxiliam no abastecimento da população, entre eles o rio Pitimbu, em Natal,
tem sido motivo de preocupação por parte dos técnicos da Companhia de Águas e
Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Ações como os constantes assoreamentos
e a poluição das águas superficiais dificultam o processo de tratamento e
obrigam a Caern a aumentar a dosagem de produtos químicos na água, de modo a
garantir que ela chegue própria para consumo nas torneiras dos consumidores.
Com
a desativação de dezenas de poços que apresentavam alto índice de nitrato, a
Caern elevou significativamente a captação de águas superficiais para abastecimento
da população de Natal nos últimos anos. A nova adutora Engenheiro Francisco
Horácio Dantas, conhecida como adutora III do Jiqui, elevou de 25% para 38% a
participação dos mananciais de superfície como fonte de captação de água para
os moradores das zonas Sul, Leste e Oeste da capital. Já na Zona Norte, as
águas superficiais da lagoa de Extremoz são esmagadora maioria: respondem por
75% do volume de água captada pela Caern na região. Os outros 25% vem de poços
instalados em diferentes pontos.
Atualmente,
a captação mensal de água da Caern na capital é de aproximadamente 7 bilhões de
litros, dos quais cerca de 3,3 bilhões são provenientes de mananciais de
superfície. “Com o avanço do processo de degradação em torno dos rios, açudes e
lagoas, a Caern teve que aumentar a vigilância e investir em produtos e
tecnologias que garantam o tratamento físico, químico e bacteriológico da
água”, explica o gerente de Operações e Combate a Perdas da Companhia, Isaías
Costa Filho. Ele observa, porém, que apesar do avanço da degradação ambiental,
“a qualidade da água bruta de Natal ainda é considerada uma das melhores do
Brasil e torna-se ainda melhor após o processo de tratamento”.
Diferente
das águas subterrâneas, que estão naturalmente mais protegidas dos agentes de contaminação,
os mananciais de superfície estão mais sujeitos à ação danosa do homem. Entre
os principais fatores que comprometem a qualidade da água dos mananciais de
superfície estão a destruição das matas ciliares, o lançamento de rejeitos
químicos, resíduos industriais, agrotóxicos, fertilizantes e outros agentes
poluidores.
EUTROFIZAÇÃO
Outro
processo que preocupa os especialistas da Caern é o de eutrofização da água,
provocado, entre outros fatores, pela urbanização das áreas dos mananciais e
consequente lançamento de resíduos líquidos e sólidos (lixo urbano) nas áreas
de rios, açudes e lagoas. Esses resíduos acabam servindo como fontes de
nutrientes, contribuindo para o surgimento de microalgas, dentre elas as cianobactérias,
que produzem toxinas capazes de tornar a água imprópria para consumo humano.
O
processo de eutrofização da água é um fenômeno mundial e está diretamente
relacionado à degradação dos mananciais. “Este é um processo altamente nocivo
porque modifica os aspectos biológico e químico da água e dificulta o
tratamento”, destaca o engenheiro Marco Calazans, da Caern, cuja tese de
doutorado na Universidade de São Paulo (USP) consistiu na elaboração de um
método para remover as cianotoxinas. O trabalho do pesquisador está sendo
aplicado na Caern em diversas estações de tratamento de água, entre elas a
localizada no Açude Gargalheiras, em Acari, e na lagoa de Extremoz, responsável
pelo abastecimento de grande parte da Zona Norte de Natal.
Apesar
do avanço da degradação dos mananciais de superfície, a Caern tranquiliza a
população quanto ao uso da água. “Tomamos todos os cuidados necessários para
garantir a potabilidade da água que chega às torneiras do consumidor”, garante
o gerente de Qualidade da Água e Meio Ambiente da Companhia, Afonso Holanda.
Ele lembra que, assim como os clientes precisam de água de boa qualidade em
suas casas, a empresa de saneamento também é usuária dos mananciais e precisa
de água bruta em condições ideais para o tratamento. “Quando acontece algum
incidente, como o recente assoreamento do rio Pitimbu, que muda o aspecto da
água, é comum as pessoas culparem a Caern. Mas o vilão da história é a falta de
preservação dos mananciais, que deve ser fiscalizada pelos órgãos ambientais e
combatida de perto pela sociedade”, diz.
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